Um guia para falar de mudanças

A meta internacional de erradicação do uso de drogas está sendo questionada em vários lugares do mundo, monstrando falhas tanto na questão central como em sua aplicabilidade. Mas, apesar de as vozes dissonantes que se levantam da sociedade civil estarem dominando o debate e trazendo para seu discurso informações científicas e dados sobre boas práticas, não são iguais nem pressionam sob o mesmo ângulo.
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América Latina está pronta para liderar o debate

II Conferência Latino-Americana e I Conferência Brasileira sobre Políticas de Drogas

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O tema central foram as políticas de drogas, mas o que esteve sobre a mesa de debates durante a II Conferência Latino-americana sobre Políticas de Drogas foi muito mais do que isso: um verdadeiro exercício de democracia, autodeterminação e liderança da região.
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Drogas: cresce o movimento antiproibicionista

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ENTREVISTA / Maurício Fiore

Depois de décadas de pouco ou nulo questionamento à atual política de drogas, cujo eixo é o proibicionismo e a repressão às substâncias psicoativas ilegais, começa a se estruturar no Brasil um movimento antiproibicionista alimentado pela pesquisa científica vinda da Academia e pelo ativismo a favor dos direitos humanos originado nas organizações da sociedade civil.
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Entrevista com José Serrano Salgado, Ministro de Justiça e Direitos Humanos do Equador

Em uma entrevista antes de sua apresentação durante a II Conferência Latino-Americana sobre Políticas de Drogas, o oficial equatoriano afirmou enfaticamente que o problema das drogas corresponde à área de Saúde Pública, deixando clara a posição do governo do seu país. Por outro lado, afirmou que o Equador tem combatido o tráfico “com medidas mais eficientes e menos nocivas que outros”.
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Maconha, porta de saída?

A epidemia de crack é um dos fenômenos mais sérios na interface entre saúde pública e segurança. O que a faz particularmente grave é a reconhecida dificuldade de superar a dependência química. Pois bem, a Universidade Federal de São Paulo realizou pesquisa com 50 dependentes químicos de crack que foram submetidos a um tratamento experimental de redução de danos. Sob a coordenação do psiquiatra Dartiu Xavier, o grupo foi tratado com maconha. Daquele total, 68% trocou o crack pela maconha. Ao final de três anos, todos os que fizeram a troca não usavam mais qualquer droga (nem o crack, nem a maconha). Anotem aí: todos.

Imaginei que, com a divulgação destes resultados por Gilberto Dimenstein, na Folha de S. Paulo em 24 de maio, haveria grande interesse sobre o estudo. Nada. A resposta ao mais impressionante resultado de superação da dependência de crack no Brasil foi o silêncio. O uso medicinal da maconha tem sido admitido em dezenas de países, inclusive nos EUA. Por aqui, o tema segue interditado pela irracionalidade. É evidente que o consumo de maconha pode produzir efeitos danosos. Sabe-se que o abuso pode conduzir o usuário a problemas de concentração e memória e que em determinadas pessoas o uso está correlacionado à precipitação de surtos esquizofrênicos. Daí a criminalizar seu consumo e impedir experiências destinadas ao uso medicinal vai uma distância que tende a ser percorrida pela intolerância e pelo obscurantismo.

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