Internação involuntária atrapalha quem busca tratamento, diz jurista

Foi aprovado nesta quarta-feira (22) na Câmara dos Deputados o texto-base do projeto de lei que permite a internação involuntária de usuários de drogas e aumenta a pena para chefes de organizações criminosas. Segundo o professor de Direito Penal da Universidade Federal Fluminense e diretor da ONG Psicotropicus João Pedro Pádua, a constitucionalidade da medida pode ser questionada.
ler mais

Uma nova voz no debate sobre as drogas

Após mais de quatro décadas de guerra fracassada contra as drogas, as declarações pedindo mudanças profundas nessa estratégia aumentam a cada dia. Na América Latina, o debate engrenou. Chefes de Estado da Colômbia, Guatemala, México e Uruguai assumiram a liderança para transformar suas políticas nacionais de drogas, desencadeando forte dinâmica de mudança por toda a região e ao redor do mundo.
ler mais

Câmara aprova texto de projeto que endurece pena para traficantes

A Câmara dos Deputados aprovou, na noite desta quarta-feira (22), o texto-base de um polêmico projeto de lei que endurece a pena para traficantes ligados ao crime organizado e atualiza as regras para a internação involuntária do usuário de drogas.

Trechos do projeto, no entanto, foram destacados e ainda deverão ser analisados separadamente em nova sessão do plenário da Casa, possivelmente na próxima semana. Após a aprovação final, o projeto ainda seguirá para o Senado.

O texto estabelece novas diretrizes dentro da atual legislação antidrogas. É uma tentativa de reduzir, especialmente, o impacto do crack. O autor do projeto, deputado Osmar Terra (PMDB-RS), exibiu no plenário um saco com o que pareciam ser, para espanto geral, pedras de crack. Eram, porém, pedaços de giz, simbolizando a quantidade da droga consumida em dez dias por um usuário.

A principal modificação lançada pelo projeto é o aumento da pena mínima, de cinco para oito anos de prisão, para traficantes ligados a organizações criminosas –definidas como a associação de quatro ou mais pessoas com objetivo de obter vantagens pela prática do crime.

Vários parlamentares, porém, inclusive o autor do projeto, reconheceram que a caracterização desse traficante não está clara no texto, o que pode deixar a critério do juiz. “Ele tem mais condições de avaliar. É muito difícil detalhar essa caracterização”, afirmou Terra. Os deputados envolvidos com a redação do projeto defendiam a ampliação da pena também para o “pequeno traficante”, quem vende a droga para se manter e manter seu vício.

Essa mudança foi rejeitada pelo governo federal e excluída do relatório colocado em votação –uma vitória especialmente da ministra Gleisi Hoffmann (Casa Civil), que coordenou a negociação. A falta de regras claras para definir o traficante ligado ao crime organizado, no entanto, pode acabar dando margem para a classificação do usuário como traficante, alertaram deputados do PT. Esse é um dos pontos que será analisado em separado em próxima sessão.

Um destaque votado, na noite desta quarta, retirou do projeto a determinação de incluir de frases e imagens de advertência nos rótulos de bebidas alcoólicas. Segundo o autor do projeto, houve um acerto com o presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), para que essa advertência seja alvo de outro projeto de lei.

Internações
O projeto traz novas regras e detalhamentos sobre a internação do usuário em hospitais, que podem ser de dois tipos: voluntárias (com consentimento do dependente) e involuntárias (a pedido da família, responsável ou de servidor público que não seja da área de segurança). A involuntária depende da chancela de um médico e não pode ultrapassar 90 dias.

Apesar de o projeto dizer que a internação é medida excepcional, entidades da área de saúde e técnicos do governo temem que, na prática, se torne a principal alternativa para o tratamento –dificultando a ressocialização do usuário– e sirva de respaldo para grandes operações nas chamadas cracolândias. Outro ponto alvo de críticas das entidades é reconhecer, na lei, um papel para as comunidades terapêuticas. O texto diz que podem funcionar como “etapa transitória para a reinserção social”.

Essas entidades já integram o plano nacional anticrack do governo federal, mas autorizadas por portaria. Elas enfrentam resistência porque grande parte tem vínculos com Igrejas e algumas já foram alvo de denúncias por maus-tratos pelo CFP (Conselho Federal de Psicologia). O Ministério da Saúde vê nas críticas, mesmo as internas, “mais fumaça do que fogo”. Avalia que o texto reforça a existência de uma rede integrada de atenção ao usuário, mas que o impacto desse projeto na atual política de saúde será mínimo.

O texto exclui propostas muito criticadas, como a criação de um registro nas escolas de suspeitas e casos do uso de drogas. Mas estabelece cota de 3% das vagas previstas em licitação de obras públicas com mais de 30 postos de trabalho.

Drogas: defensores de nova lei exigem rigor

O projeto de uma nova lei antidrogas, alvo de polêmicas há quase três anos, deve ser votado nesta quarta-feira na Câmara dos Deputados. De autoria do deputado Osmar Terra (PMDB-RS), o texto prevê a internação compulsória de dependentes químicos e o aumento das penas para tráfico de drogas.
ler mais

OEA dá a largada a debate sobre descriminalização de drogas

O fracasso do combate ao narcotráfico no continente americano levou a Organização dos Estados Americanos (OEA) a mexer em um vespeiro inédito para um organismo multilateral: aponta como tendência a legalização da produção, da venda e do consumo da maconha e sugere que os países discutam a medida como estratégia alternativa na guerra contra as drogas
ler mais